O casal de influenciadores Viih Tube e Eliezer deu início ao cumprimento de uma das cláusulas de um acordo judicial firmado com o Ministério Público do Trabalho (MPT). No início de agosto de 2026, os criadores de conteúdo publicaram o primeiro vídeo focado em conscientizar o público sobre as condições de trabalho doméstico e os riscos da escravidão moderna no Brasil. A ação é um desdobramento direto de uma polêmica que envolveu a contratação de funcionários para a residência do casal.
A publicação marca uma mudança de tom significativa no perfil dos influenciadores, que costumam compartilhar a rotina da família e de seus filhos. No conteúdo educativo, eles abordam temas sensíveis, como a jornada exaustiva, a retenção de documentos e as condições degradantes que podem caracterizar o trabalho análogo à escravidão no ambiente doméstico. O objetivo da iniciativa, imposta pela Justiça, é utilizar o grande alcance das redes sociais dos dois para informar trabalhadores e empregadores sobre seus direitos e deveres.
Para entender como o casal chegou a esse ponto, é preciso retomar o caso que gerou a investigação do MPT. Em um projeto que foi apelidado pejorativamente na internet de “reality show de empregados”, Viih Tube e Eliezer realizaram uma dinâmica para selecionar novos funcionários domésticos. O formato da seleção, que envolvia gravações e testes expostos ao público, foi duramente criticado por especialistas e internautas, que apontaram a espetacularização de um processo de contratação e a possível precarização das relações de trabalho.
Diante da repercussão negativa e das denúncias, o Ministério Público do Trabalho interveio, resultando em um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) ou acordo judicial. No total, o casal concordou em pagar uma indenização de cerca de R$ 350 mil. Esse montante, segundo informações apuradas, deve ser destinado a projetos sociais ou fundos de proteção ao trabalhador. Além do valor financeiro, a obrigatoriedade de produzir e veicular vídeos informativos sobre legislação trabalhista foi um dos pontos cruciais da decisão.
Viih Tube se manifestou brevemente sobre a natureza do vídeo, reforçando que a publicação faz parte do compromisso assumido com as autoridades. Em suas redes, ela destacou que a intenção agora é transformar o erro passado em uma oportunidade de aprendizado coletivo. “É um tema necessário e que muitas vezes passa despercebido no dia a dia”, comentou a influenciadora ao justificar a nova abordagem de seu canal e perfil no Instagram.
O vídeo educativo, no entanto, não foi isento de novas críticas. Enquanto alguns seguidores elogiaram a postura de assumir a responsabilidade e educar a audiência, outros questionaram a autenticidade da mensagem, lembrando que a ação só ocorreu devido à imposição judicial e à multa pesada. A discussão levantou um debate importante sobre a responsabilidade social de grandes influenciadores digitais e os limites éticos na criação de conteúdo que envolve subordinados e prestadores de serviço.
Especialistas em Direito do Trabalho ressaltam que casos como o de Viih Tube e Eliezer servem como um alerta para a categoria dos influenciadores. A exposição de funcionários sem o devido cuidado jurídico e ético pode configurar violações graves. O MPT tem monitorado com mais rigor as dinâmicas de trabalho divulgadas em redes sociais, buscando garantir que a legislação brasileira seja respeitada também no ambiente digital.
Com a série de vídeos previstos no acordo, espera-se que o casal continue a abordar tópicos fundamentais como:
- Salário mínimo profissional para domésticas;
- Direito ao descanso semanal remunerado;
- A importância do registro em carteira de trabalho;
- Limites de jornada e horas extras.
A estratégia do Ministério Público ao propor esse tipo de sanção pedagógica é justamente atingir um público que, muitas vezes, não consome informações jurídicas por canais oficiais, mas acompanha diariamente a vida das celebridades da internet.
