Nem toda adaptação da Disney consegue repetir o sucesso dos grandes clássicos. O aguardado live-action de Moana estreou nos cinemas com uma bilheteria considerada abaixo do esperado, arrecadando US$ 95 milhões (cerca de R$ 485 milhões) em seu primeiro fim de semana de exibição mundial.
O resultado ficou distante da meta traçada pelo estúdio, que esperava um faturamento entre US$ 130 milhões e US$ 140 milhões no lançamento. Do total arrecadado, US$ 43 milhões vieram do mercado norte-americano, enquanto US$ 52 milhões foram registrados internacionalmente.
Para um filme que teve um orçamento estimado em US$ 250 milhões, o desempenho inicial acende um sinal de alerta sobre a capacidade da produção de recuperar seus custos nos cinemas.
Disney enfrenta mais um começo difícil
O desempenho de Moana lembra outro revés recente da Disney.
Em 2025, o live-action de Branca de Neve também estreou abaixo das expectativas e enfrentou dificuldades para conquistar o público. Na ocasião, especialistas atribuíram parte do resultado ao fato de a animação original ser muito antiga e não despertar o mesmo vínculo emocional nas novas gerações.
Com Moana, porém, o cenário parece ser justamente o oposto.
A animação original foi lançada em 2016 e permanece bastante presente na memória do público. Além disso, a personagem voltou aos cinemas recentemente com Moana 2, reduzindo o fator nostalgia que impulsionou outros remakes de sucesso da Disney.
Para muitos analistas, transformar uma animação tão recente em live-action pode ter diminuído o impacto da novidade.
Concorrência pesada nas férias
Além do desafio de convencer o público a revisitar uma história relativamente recente, Moana chegou aos cinemas enfrentando uma concorrência de peso.
O principal rival é Toy Story 5, que se tornou a maior estreia do ano nos Estados Unidos ao arrecadar aproximadamente US$ 160 milhões apenas no primeiro fim de semana.
A nova aventura da Pixar segue em ritmo acelerado e já acumula cerca de US$ 879 milhões em bilheteria mundial. Caso mantenha esse desempenho, poderá ultrapassar Toy Story 4, atualmente o filme de maior arrecadação da franquia, com US$ 1,07 bilhão.
Outro concorrente direto é Minions e Monstros, que também mantém bom desempenho nas bilheterias internacionais.
Em seu segundo fim de semana em cartaz, a animação arrecadou US$ 39 milhões em 79 mercados, chegando a aproximadamente US$ 280 milhões no acumulado global.
Com três grandes produções voltadas ao público familiar disputando espaço simultaneamente, a atenção dos espectadores acabou sendo dividida.
O desafio dos remakes da Disney
Durante a última década, a Disney transformou os live-actions em uma de suas principais estratégias comerciais.
Produções como O Rei Leão, Aladdin, A Bela e a Fera e Lilo & Stitch ultrapassaram a marca de US$ 1 bilhão em bilheteria mundial, consolidando o formato como uma das apostas mais lucrativas do estúdio.
Em comum, esses filmes adaptavam animações lançadas principalmente entre os anos 1990 e início dos anos 2000, despertando forte sentimento de nostalgia em adultos que cresceram acompanhando esses clássicos.
No caso de Moana, essa conexão emocional ainda pode não ter amadurecido o suficiente para justificar uma nova versão em tão pouco tempo.
Ainda há tempo para reagir
Apesar da estreia abaixo das expectativas, especialistas destacam que o desempenho de um blockbuster não depende apenas do primeiro fim de semana.
Caso o filme consiga boas avaliações do público e mantenha uma queda pequena nas próximas semanas, ainda poderá construir uma trajetória sólida nas bilheterias internacionais.
A Disney também aposta na força da marca Moana, especialmente entre o público infantil, e na temporada de férias escolares para ampliar o alcance da produção.
Mesmo assim, o início representa um resultado muito inferior ao esperado para um dos maiores investimentos do estúdio nos últimos anos e reforça um debate que cresce em Hollywood: será que o público está começando a demonstrar sinais de desgaste com a onda de remakes em live-action?
